Quando o costume vira doutrina: libertando a fé dos mandamentos de homens
- Ketty Williams

- há 1 dia
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Existe uma diferença profunda entre seguir a doutrina de Cristo e seguir todos os costumes que, ao longo do tempo, foram associados ao cristianismo. O problema é que essa diferença nem sempre é ensinada.
Em muitas comunidades cristãs, costumes construídos dentro de determinada época, cultura ou denominação foram transmitidos por tantas gerações que acabaram adquirindo aparência de mandamento divino. Aquilo que começou como interpretação tornou-se regra. A regra virou tradição. A tradição recebeu o nome de doutrina. E, finalmente, a doutrina humana passou a ser apresentada como condição para a própria salvação.
Então surgem frases conhecidas: “Mulher de Deus não usa calça.” “Homem de Deus não pode ter cabelo comprido.” “Mulher que corta o cabelo está em desobediência.” “Crente não usa maquiagem.” “Joia é vaidade.” “Quem faz isso está dando lugar ao inimigo.” “Se pensa diferente da igreja, está em rebeldia.” “Se continuar assim, será disciplinado.” “Se morrer desse jeito, vai para o inferno.”
Talvez o problema mais grave não esteja apenas nas regras em si, mas na autoridade que lhes atribuímos. Porque existe uma diferença enorme entre dizer: “Na nossa comunidade preferimos viver dessa maneira.” e afirmar: “Deus ordenou que todos os cristãos vivam dessa maneira, e quem discordar está em pecado.”
A primeira frase reconhece uma tradição. A segunda reivindica autoridade divina. E, se Deus realmente não disse aquilo, estamos diante de algo muito sério: colocar palavras na boca de Deus.
É curioso perceber que justamente esse tipo de religiosidade foi confrontado por Jesus. Em Marcos 7, Cristo entra em conflito com líderes religiosos por causa de tradições que haviam adquirido autoridade quase equivalente à própria Lei. Sua acusação é severa: eles estavam “ensinando como doutrinas mandamentos de homens” e, em determinadas situações, anulando o mandamento de Deus em favor da tradição recebida.
O problema de Jesus não era a existência de toda e qualquer tradição. Toda comunidade possui costumes. O problema começava quando a tradição humana recebia o peso da revelação divina e, pior ainda, quando passava a obscurecer o próprio propósito da Palavra de Deus. O episódio do Corbã é utilizado precisamente para mostrar como uma prática religiosa podia parecer piedosa enquanto contrariava aquilo que Deus realmente havia ordenado. Estudos exegéticos de Marcos 7 destacam justamente essa oposição entre a ordem divina e tradições humanas consideradas vinculantes.
Dois mil anos depois, talvez devêssemos fazer uma pergunta desconfortável: Quantos “Corbãs” construímos dentro das nossas próprias igrejas?
Quando interpretação vira revelação
Existe algo que todo leitor da Bíblia deveria compreender antes de discutir roupa, cabelo, maquiagem ou qualquer outro tema: ler um versículo não é a mesma coisa que interpretá-lo corretamente.
Todo texto possui contexto. Foi escrito por alguém, para alguém, em determinado momento histórico, dentro de determinada cultura, utilizando palavras que possuíam sentidos conhecidos naquela sociedade e respondendo a determinado problema.
Quando retiramos uma frase desse universo e a transportamos diretamente para o século XXI, sem qualquer trabalho hermenêutico, corremos o risco de não aplicar a Bíblia, mas de criar outra coisa utilizando palavras bíblicas.
É aqui que mora um dos maiores perigos do fundamentalismo sem hermenêutica: a convicção de que uma leitura literal é automaticamente uma leitura fiel. Nem sempre é.
Se eu disser que determinado texto deve ser interpretado “literalmente”, ainda preciso perguntar o que aquelas palavras significavam para quem originalmente as ouviu. A própria Bíblia exige isso de nós.
Quando Paulo diz a Timóteo para tomar “um pouco de vinho” por causa do estômago (1Tm 5:23), dificilmente alguém transforma essa recomendação em uma obrigação universal para todos os cristãos com problemas digestivos. Quando Paulo pede a Timóteo que leve sua capa e seus pergaminhos (2Tm 4:13), ninguém cria a “doutrina da capa”. Quando Jesus manda determinado homem vender tudo o que possui (Mt 19:21), diferentes tradições cristãs reconhecem que é necessário compreender o diálogo e sua finalidade antes de declarar que todo cristão que possui uma casa está condenado.
Curiosamente, esse cuidado hermenêutico desaparece quando chegamos aos textos que sustentam costumes com os quais já estamos familiarizados. Nesse momento, muitas vezes, não perguntamos mais: “O que o autor quis dizer?” Perguntamos: “Como posso provar aquilo que já me ensinaram?”
São coisas muito diferentes.
Saia é de mulher e calça é de homem?
Talvez Deuteronômio 22:5 seja um dos exemplos mais evidentes. O texto proíbe que uma mulher utilize aquilo que pertence ao homem e que um homem vista uma vestimenta de mulher.
A partir dele, algumas igrejas desenvolveram uma conclusão: mulher não pode usar calça.
Mas existe um problema histórico bastante óbvio. Calças modernas não constituíam o sistema de vestuário do antigo Israel. Homens e mulheres utilizavam peças que, aos nossos olhos modernos, lembrariam túnicas, mantos e outras formas de vestimenta longa. Isso não significa que não existissem distinções entre vestimentas masculinas e femininas. Existiam elementos de diferenciação. O que significa é que “calça masculina versus saia feminina” não é uma categoria existente dentro do texto bíblico.
Inclusive, o termo hebraico traduzido como aquilo que “pertence ao homem”, keli gever, pode abranger mais do que simplesmente uma peça de roupa, podendo designar objetos, equipamentos ou utensílios associados ao homem. A razão exata para a proibição de Deuteronômio 22:5 continua debatida na pesquisa bíblica. Há interpretações que a relacionam à preservação de distinções entre os sexos, outras que investigam possíveis práticas cultuais e idolátricas nas quais ocorria troca de vestimentas. O ponto importante é que a utilização contemporânea do texto como uma proibição específica de calças femininas não pode simplesmente ser projetada de volta ao antigo Israel.
É possível, a partir de uma antropologia cristã tradicional, extrair desse texto um princípio sobre a importância de não transformar deliberadamente a identidade sexual em algo irrelevante? Sim. Essa é uma interpretação teológica possível e antiga.
Mas existe uma distância enorme entre esse princípio e decretar que uma peça específica de tecido pertence eternamente a determinado sexo.
Roupas possuem códigos culturais. Uma peça considerada masculina em uma sociedade pode ser feminina em outra. Homens escoceses podem usar kilts. Homens de diferentes povos utilizam túnicas, mantos e vestimentas semelhantes visualmente ao que um brasileiro moderno poderia chamar superficialmente de “saia”. A própria história ocidental alterou inúmeras vezes aquilo que considera roupa masculina e feminina.
Portanto, não considero intelectualmente honesto utilizar Deuteronômio 22:5 para afirmar que uma cristã vestindo uma calça feminina está violando necessariamente uma ordem divina.
Se quisermos discutir identidade sexual, masculinidade, feminilidade ou as questões contemporâneas envolvendo identidade de gênero, devemos fazê-lo seriamente, recorrendo à antropologia bíblica em sua totalidade, à criação, à teologia do corpo e a outros textos. Não deveríamos transformar Deuteronômio 22:5 em uma resposta simplista para discussões que o autor antigo sequer estava formulando nos nossos termos modernos.
E aqui aparece uma regra hermenêutica importante: não devemos exigir do versículo aquilo que o versículo não está tentando responder.
E o cabelo? “A própria natureza não ensina?”
Outro texto frequentemente utilizado é 1 Coríntios 11:14–15. Paulo relaciona cabelo comprido, homem, mulher, honra e desonra.
Novamente, é preciso ler o capítulo. 1 Coríntios 11 não foi escrito como um manual contemporâneo de cabeleireiro cristão. O trecho está inserido numa discussão complexa sobre homens e mulheres orando e profetizando, cobertura da cabeça, cabelo, honra, vergonha e comportamento adequado dentro da comunidade de Corinto.
E aqui há algo muito interessante: nem mesmo entre pesquisadores existe consenso completo sobre todos os detalhes dessa passagem.
Há discussão acadêmica sobre se Paulo se refere principalmente a véus, a penteados, ao modo de apresentar o cabelo ou a uma combinação desses elementos. Pesquisadores também chamam atenção para a importância das categorias de honra e vergonha no mundo greco-romano para compreender 1 Coríntios 11.
Isso deveria produzir humildade. Se estudiosos do grego, da história romana, do judaísmo do Segundo Templo e do Novo Testamento continuam discutindo detalhes do texto, talvez seja imprudente transformar uma interpretação denominacional específica em: “Deus disse, e acabou.”
Paulo não fornece centímetros. Não diz que o cabelo feminino precisa alcançar a cintura. Não determina que uma mulher jamais possa cortá-lo. Não estabelece uma tabela segundo a qual determinada altura do cabelo é santidade e outra é pecado.
Podemos compreender que Paulo valoriza distinções reconhecíveis entre homens e mulheres dentro daquele universo social. O que não podemos fazer honestamente é preencher aquilo que Paulo não especificou com as preferências estéticas da nossa própria comunidade e depois chamar esse acréscimo de Escritura.
Quando a interpretação vai além do texto, ela precisa ter humildade suficiente para dizer: “Esta é nossa aplicação.” Não: “Estas são as palavras de Deus.”
Modéstia não é uniforme
Isso não significa que o cristianismo não possua uma teologia da aparência. Possui.
Eu acredito profundamente que a forma como apresentamos nosso corpo merece discernimento. Paulo escreve em 1 Timóteo 2:9–10 sobre vestimenta respeitável, modéstia, bom senso e boas obras. Pedro, em 1 Pedro 3:3–4, contrasta a ornamentação exterior com aquilo que chama de caráter interior.
Mas observe a diferença. O princípio bíblico é modéstia. O problema começa quando seres humanos tentam transformar o princípio em um único uniforme universal.
Para mim, vestir-me com modéstia significa poder ser elegante, cuidar da aparência, escolher boas roupas e desenvolver meu estilo sem utilizar o corpo como instrumento deliberado de exposição sexual. É perfeitamente possível vestir uma calça, um terno, uma saia ou um vestido de maneira modesta ou imodesta. O tecido, sozinho, não possui moralidade.
E essa discussão também não deveria cair exclusivamente sobre as mulheres. Se o corpo pertence a Deus, a responsabilidade cristã em relação ao corpo não é feminina. É humana.
Homens também podem vestir-se para ostentar sexualmente o corpo. Homens também podem fazer da aparência um ídolo. Homens também podem ser vaidosos. Homens também precisam de domínio próprio. Santidade não possui gênero.
O estudo histórico de 1 Timóteo 2 e 1 Pedro 3 mostra ainda que joias, roupas sofisticadas e penteados podiam comunicar riqueza, posição social e honra no mundo greco-romano. Isso ajuda a compreender por que os autores colocam o foco no caráter e na conduta, em contraste com uma identidade fundamentada na exibição exterior.
Isso é muito diferente de dizer: “Qualquer mulher que use um brinco está em pecado.”
Pedro proibiu joias?
1 Pedro 3:3–4 é outro texto frequentemente transformado em proibição absoluta. Pedro menciona cabelo trançado, ouro e roupas.
Se interpretássemos a estrutura inteira como uma proibição absolutamente literal de cada elemento citado, teríamos um problema curioso: Pedro também menciona vestir roupas. Obviamente, ele não está ordenando às mulheres que deixem de usar roupas.
A construção coloca em contraste aquilo que constitui a verdadeira beleza da mulher cristã. O centro não deve estar no aparato exterior, mas no caráter interior.
Isso não significa que nenhuma manifestação de luxo ou ostentação possa ser moralmente problemática. Pode. Uma pessoa pode ser escravizada pela aparência. Pode gastar para impressionar. Pode transformar marcas, joias e beleza em identidade. Pode utilizar o corpo para manipular atenção. Tudo isso merece reflexão cristã.
Mas novamente encontramos uma diferença entre princípio e regulamento humano. O princípio é: não construa sua dignidade diante de Deus sobre ornamentação exterior. O acréscimo humano é: “portanto, qualquer brinco é pecado.”
Não são a mesma afirmação.
Jezabel usava maquiagem. E daí?
Talvez poucas personagens bíblicas tenham sido utilizadas de maneira tão curiosa contra mulheres cristãs quanto Jezabel. Uma mulher passa batom. “Jezabel.” Usa maquiagem. “Espírito de Jezabel.” Coloca um brinco. “Parece Jezabel.” Arruma o cabelo. “Vaidade de Jezabel.”
E geralmente a sustentação apresentada é 2 Reis 9:30. O texto relata que, sabendo da chegada de Jeú, Jezabel pintou os olhos, arrumou a cabeça e olhou pela janela.
Só isso.
O versículo não diz: “E Jezabel pecou porque pintou os olhos.” Não existe mandamento no texto dizendo: “Portanto, nenhuma mulher de Israel utilizará cosméticos.” Não existe uma doutrina da maquiagem derivada da passagem.
O que existe é uma narrativa descrevendo o comportamento de Jezabel pouco antes de sua morte. A pesquisa histórica sobre cosméticos no Antigo Oriente demonstra que pinturas para os olhos, óleos perfumados e outros recursos de ornamentação faziam parte da cultura antiga. Estudos sobre o tema observam também que o uso de cosméticos não recebe uma condenação uniforme em todas as narrativas bíblicas.
Se quisermos saber por que Jezabel é apresentada negativamente na narrativa bíblica, precisamos voltar alguns capítulos. Em 1 Reis 16:31–33, sua história está associada à promoção do culto a Baal. Em 1 Reis 18:4 e 18:13, encontramos a perseguição aos profetas do Senhor. Em 1 Reis 21, encontramos um dos episódios mais graves: a conspiração que leva à morte de Nabote para que Acabe tome sua vinha.
É aqui que está a questão moral: idolatria, abuso de poder, manipulação, perseguição, injustiça e morte de inocente.
Jezabel aparece como uma personagem politicamente forte, estrategicamente inteligente e profundamente manipuladora. Seu problema teológico não é possuir um estojo de maquiagem.
Reduzir Jezabel à mulher que pintou os olhos é quase banalizar aquilo que a narrativa realmente denuncia.
É transformar um problema ético, político e espiritual gigantesco numa fiscalização estética feminina.
E talvez isso diga mais sobre nós do que sobre Jezabel.
Quando a Bíblia diz “modéstia”, nós precisamos tomar cuidado para não ouvir “feiura”
Existe outra distorção curiosa. Em determinados ambientes religiosos, criou-se a impressão de que quanto menos uma mulher cuidar de si, mais santa parecerá.
Mas modéstia não é abandono. Humildade não é desleixo. Santidade não exige que alguém tente parecer pouco atraente. Perfume não é automaticamente sensualidade. Maquiagem não é automaticamente vaidade. Depilação não é rebeldia. Cuidar dos cabelos não significa idolatrar o corpo. Usar uma roupa elegante não significa desejar provocar alguém.
A pergunta cristã deveria ser muito mais profunda: Por que faço isso? Qual é minha intenção? Estou escravizada à aprovação? Minha aparência se tornou minha identidade? Estou expondo meu corpo deliberadamente? Estou utilizando riqueza para demonstrar superioridade? Consigo viver sem aquilo? Minha consciência está em paz diante de Deus?
Cristianismo maduro trabalha com o coração. Legalismo prefere trabalhar com centímetros.
É muito mais fácil medir o comprimento de uma saia do que discernir o orgulho. É mais fácil proibir um batom do que confrontar a maldade. É mais fácil fiscalizar um cabelo do que tratar a inveja. É mais fácil retirar o brinco de alguém do que remover a arrogância do próprio coração.
Talvez por isso sistemas religiosos frequentemente prefiram regras visíveis. Elas nos dão a sensação de controle.
“Seu corpo é templo do Espírito Santo”
Eu acredito que nosso corpo deve ser tratado com reverência. Paulo escreve: “Vosso corpo é santuário do Espírito Santo.” (1 Coríntios 6:19–20)
Mas até aqui precisamos praticar a mesma honestidade hermenêutica. O contexto imediato de 1 Coríntios 6 está relacionado à imoralidade sexual e à relação entre o corpo do cristão e Cristo. Paulo está combatendo uma ideia segundo a qual aquilo que se fazia corporalmente poderia ser moralmente irrelevante. A linguagem do templo aparece dentro dessa teologia da santidade corporal. Pesquisas recentes sobre a linguagem do templo em 1 Coríntios igualmente destacam sua relação com santidade, corpo e pertencimento a Cristo.
Isso nos fornece um princípio extraordinariamente importante: meu corpo não é moralmente insignificante. Meu corpo pertence a Deus.
Mas novamente precisamos evitar transformar o princípio em conclusões automáticas que o texto não formula. Por exemplo: “Meu corpo é templo, portanto furar a orelha é pecado.” “Meu corpo é templo, portanto tomar café é pecado.” “Meu corpo é templo, portanto fazer tatuagem é pecado.” “Meu corpo é templo, portanto qualquer procedimento estético é pecado.”
Essas conclusões precisam de argumentos adicionais. Elas não estão contidas automaticamente na metáfora.
E tatuagem?
Este é um ótimo exemplo da diferença entre convicção pessoal e doutrina universal.
Eu, particularmente, não faria tatuagem. Uma das razões pelas quais não faria está exatamente na minha compreensão do corpo como algo que pertence a Deus e que desejo preservar.
Essa é uma convicção da minha consciência. Mas minha consciência não se transforma automaticamente na consciência de todos os outros cristãos.
O texto mais citado sobre tatuagem é Levítico 19:28, que proíbe cortes no corpo “pelos mortos” e determinadas marcas. A passagem está inserida dentro da legislação de santidade de Israel e apresenta explicitamente a prática de cortes relacionada aos mortos. O significado preciso do segundo termo utilizado para as marcas corporais e sua relação com a tatuagem moderna é objeto de discussão histórica e lexical. Há forte conexão, nas interpretações do texto, com práticas antigas de luto, marcação e ambientes religiosos pagãos.
Por isso, não acho prudente dizer simplesmente: “Qualquer tatuagem moderna é exatamente aquilo que Levítico 19:28 descreve.”
Também não acho necessário dizer: “Então não importa o que fazemos com o corpo.”
Há um caminho muito mais maduro. Posso perguntar: por que quero essa tatuagem? O que ela representa? Existe algo nela incompatível com minha fé? Estou fazendo por impulso? Tenho paz de consciência? Como ela afetará minha vida? Estou tomando uma decisão permanente movida por uma emoção temporária? Minha liberdade está sendo exercida com sabedoria?
E aqui Paulo oferece um princípio extraordinário. Em 1 Coríntios 6:12 e novamente em 10:23 aparece a ideia: nem tudo o que é permitido convém; nem tudo edifica.
Esse talvez seja um dos maiores sinais de maturidade cristã. A pessoa imatura pergunta: “É pecado ou não?” A pessoa madura também pergunta: “Convém?”
Nem toda decisão cristã precisa ser resolvida através de uma lista binária de proibido e permitido. Algumas exigem sabedoria.
A liberdade paulina é limitada pelo domínio próprio, pelo benefício espiritual, pela consciência, pela edificação do outro e pela glória de Deus.
O álcool e a diferença entre “poder” e “convir”
O álcool é outro assunto no qual essa distinção aparece com clareza.
A Bíblia não apresenta todo consumo de vinho como pecado. Isso seria difícil de sustentar biblicamente. Há vinho em celebrações. Jesus participa de contextos nos quais existe vinho. Paulo chega a recomendar a Timóteo “um pouco de vinho” por causa de suas enfermidades frequentes (1Tm 5:23).
Ao mesmo tempo, a Bíblia é extremamente clara sobre embriaguez. Efésios 5:18 ordena que o cristão não se embriague com vinho. Provérbios 20:1 alerta sobre a capacidade do vinho de enganar e produzir comportamento insensato. Gálatas 5:19–21 inclui bebedeiras entre as obras da carne. Provérbios 23:29–35 apresenta quase uma anatomia poética da intoxicação. E as próprias narrativas bíblicas demonstram consequências desastrosas da embriaguez.
Portanto, precisamos ser precisos: beber e embriagar-se não são termos biblicamente idênticos.
Uma igreja pode recomendar abstinência total. Uma pessoa pode escolher não consumir álcool. Eu mesma considero essa escolha prudente.
Por quê? Porque volto à pergunta: para que preciso disso?
Se determinada substância possui justamente a capacidade de reduzir minha percepção, meu autocontrole e meu julgamento, por que eu precisaria buscá-la?
Algumas pessoas conseguem consumir determinada quantidade sem intoxicação evidente. Outras perdem limites. Para algumas, aquilo começa de maneira social e eventualmente se torna dependência.
Em situações de embriaguez, pessoas podem falar aquilo que não falariam sóbrias, ferir alguém, destruir relacionamentos, agir agressivamente, dirigir sem condições, tomar decisões sexuais imprudentes ou praticar violência.
Por isso, minha opção pessoal pode ser: é possível que nem todo consumo seja proibido, mas para mim não convém.
Perceba a diferença. Não preciso inventar um mandamento que a Bíblia não apresenta para possuir uma convicção forte. Posso dizer: “Eu não bebo porque minha consciência, meu entendimento e minha prudência me conduzem à abstinência.”
Isso é muito diferente de afirmar: “Todo cristão que tocar numa taça está condenado.”
A primeira é convicção. A segunda exige uma base bíblica que precisa ser demonstrada.
O problema não é ter costumes
Quero deixar algo muito claro. Uma igreja pode ter costumes. Não há nada necessariamente errado nisso.
Uma comunidade pode pedir determinado padrão de vestimenta para quem sobe ao púlpito. Pode possuir protocolo. Pode preservar determinada estética. Pode recomendar que seus líderes não bebam. Pode estabelecer orientações prudenciais para determinadas funções.
Famílias também fazem isso. Instituições fazem isso. Culturas fazem isso.
O problema começa quando prudência recebe o nome de pecado. Quando costume recebe o nome de doutrina. Quando preferência recebe o nome de santidade. Quando a tradição da denominação recebe o peso da Palavra de Deus.
E principalmente quando se ameaça a salvação de alguém por violar algo que Cristo nunca estabeleceu como condição de salvação.
Isso deveria nos causar temor. Porque existe um tipo muito estranho de arrogância religiosa em afirmar com absoluta certeza: “Deus condenará você por isso”, quando Deus não declarou aquilo de maneira clara.
“Se você discorda, está sendo usado pelo inimigo”
Talvez esse seja um dos comportamentos mais perigosos dentro de ambientes religiosos fechados.
Uma pessoa pergunta: “Por que fazemos isso?” A resposta não é exegese. É intimidação.
“Não questione.” “Isso é rebeldia.” “O pastor sabe.” “Você está dando brecha.” “Isso é coisa do inimigo.” “Cuidado para não tocar no ungido.”
Esse tipo de resposta cria uma comunidade na qual a autoridade humana se torna praticamente impossível de examinar.
Mas o Novo Testamento não apresenta o cristão maduro como intelectualmente passivo. Os bereanos, em Atos 17:11, são elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar aquilo que Paulo lhes anunciava.
Pense nisso. Eles estavam conferindo o ensino de Paulo. Se o apóstolo Paulo podia ter sua pregação examinada à luz das Escrituras, por que um pastor contemporâneo estaria acima disso?
Questionar não é automaticamente rebeldia. Depende de como e por que questionamos.
Existe questionamento arrogante. Existe oposição mal-intencionada. Mas existe também questionamento sincero, nascido do desejo de compreender.
Uma fé incapaz de suportar uma pergunta possui um problema muito maior do que a pergunta.
Existe disciplina bíblica. Mas disciplina para quê?
Também precisamos ser justos. O Novo Testamento ensina disciplina eclesiástica. Portanto, criticar abusos de disciplina não significa abolir qualquer disciplina.
Mateus 18:15–17 apresenta um processo diante do pecado e do conflito. 1 Coríntios 5 apresenta uma situação gravíssima de imoralidade sexual pública dentro da comunidade. Gálatas 6:1 ordena que aquele que foi surpreendido em pecado seja restaurado com espírito de mansidão.
Observe a palavra: restaurado.
A disciplina cristã não foi concebida como instrumento para satisfazer o poder de líderes. Não deveria servir para humilhar. Não deveria ser ameaça utilizada para produzir conformidade estética. Não deveria punir alguém porque interpretou um texto secundário de maneira diferente do pastor.
A literatura sobre Gálatas 6:1 destaca que o verbo utilizado para “restaurar” possui a ideia de reparar aquilo que está quebrado, e que Paulo insiste na mansidão e na consciência da própria vulnerabilidade daquele que corrige.
Isso é muito diferente de: “Use saia ou será disciplinada.” “Retire o brinco ou será excluída.” “Cortou o cabelo, ficará sem participar.” “Discordou do costume, está em rebeldia.”
Para aplicar disciplina eclesiástica seriamente, precisamos antes demonstrar que existe transgressão que realmente justifique disciplina. Caso contrário, podemos acabar disciplinando alguém por desobedecer a nós, e não a Cristo.
Há uma diferença enorme.
Romanos 14 talvez seja um dos capítulos mais esquecidos quando queremos controlar os outros
Paulo conhecia comunidades divididas por práticas religiosas. Em Romanos 14, alguns cristãos comiam determinados alimentos. Outros não. Alguns consideravam certos dias especiais. Outros não faziam essa distinção.
E Paulo poderia ter resolvido o problema criando um regulamento. Curiosamente, não foi isso que fez. Ele ensina que não devemos desprezar nem julgar uns aos outros em questões dessa natureza.
Aqui surge uma categoria teológica muito importante, frequentemente chamada de adiáfora, isto é, matérias que não constituem, em si mesmas, o centro obrigatório da fé ou da moral cristã e nas quais existe espaço para consciência.
Isso não significa que tudo seja relativo. Romanos 14 não transforma adultério, assassinato, idolatria ou mentira em “questões de opinião”. Há doutrinas centrais. Há mandamentos morais claros. Há pecado.
Mas existem também questões nas quais cristãos sinceros podem chegar a conclusões diferentes.
Pesquisadores e teólogos que trabalham Romanos 14 ressaltam justamente essa diferença entre doutrinas e exigências morais centrais, de um lado, e matérias disputáveis de consciência, de outro.
Talvez muitas das nossas guerras eclesiásticas aconteçam porque transformamos questões de Romanos 14 em questões de Gálatas 1. Tratamos divergência secundária como se fosse outro evangelho. E assim irmãos se tornam inimigos.
Paulo também conhecia o perigo do “não toque, não prove, não manuseie”
Colossenses 2:20–23 contém uma crítica particularmente relevante. Paulo menciona regulamentos religiosos resumidos por expressões semelhantes a: “Não manuseie.” “Não prove.” “Não toque.”
Essas práticas possuíam aparência de sabedoria e espiritualidade, mas Paulo questiona seu verdadeiro poder de produzir santidade.
Essa passagem precisa ser compreendida dentro do problema específico enfrentado em Colossos, mas o princípio continua perturbador: uma religião cheia de proibições pode aparentar santidade sem necessariamente transformar o coração.
É possível obedecer a duzentas regras externas e continuar orgulhoso, cruel, invejoso, manipulador, mentiroso, ganancioso, incapaz de perdoar e incapaz de amar.
É possível não usar maquiagem e destruir alguém com fofoca. É possível nunca cortar o cabelo e possuir um coração arrogante. É possível usar a saia mais longa da igreja e tratar pessoas com desprezo. É possível nunca beber álcool e estar embriagado de poder. É possível não possuir tatuagem alguma e carregar no coração marcas de ódio que ninguém vê.
Talvez seja por isso que Jesus sempre leva a religião para dentro.
A verdadeira doutrina de Cristo é muito mais difícil
O legalismo tem uma vantagem psicológica. Ele torna santidade mensurável.
Se a saia passou do joelho: aprovada. Se o cabelo chegou ao tamanho determinado: aprovada. Sem maquiagem: aprovada. Sem brinco: aprovada. Sem tatuagem: aprovada.
E então podemos olhar no espelho e concluir: “Sou santa.”
Cristo torna tudo mais difícil. Ele pergunta sobre o coração.
No Sermão do Monte, Jesus desloca a discussão do ato exterior para a interioridade. Não basta não matar; precisamos tratar a ira e o desprezo. Não basta não adulterar; precisamos enfrentar a cobiça. Não basta parecer religioso; precisamos examinar por que fazemos aquilo que fazemos. Não basta orar; existe uma forma hipócrita de oração. Não basta jejuar; existe uma forma vaidosa de jejum. Não basta dar esmola; até a generosidade pode se tornar espetáculo.
É muito mais difícil. Porque agora não consigo esconder minha falta de santidade atrás de uma roupa comprida.
O exterior ainda importa. Mas não pode substituir o interior.
Jesus resume a Lei no amor a Deus e ao próximo (Mt 22:37–40). Ensina que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor (Jo 13:34–35). Paulo descreve o fruto do Espírito como amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5:22–23).
Observe como é interessante. Paulo não diz: “O fruto do Espírito é determinado corte de cabelo.” “O fruto do Espírito é determinada roupa.” “O fruto do Espírito é ausência de maquiagem.”
Ele fala de caráter transformado.
Isso não torna a ética corporal irrelevante. Torna-a consequência de algo maior.
Liberdade cristã não é libertinagem
Também existe um erro no extremo oposto. Ao perceber que certas proibições são tradições humanas, alguém pode concluir: “Então posso fazer qualquer coisa.”
Não. Isso também não é cristianismo.
Paulo combate tanto o legalismo quanto a libertinagem. A liberdade cristã não significa ausência de senhorio. Fomos libertos para pertencer a Cristo.
Gálatas 5:1 afirma que Cristo nos libertou para a liberdade, mas poucos versículos depois Paulo adverte que essa liberdade não deve virar oportunidade para a carne (Gl 5:13).
Portanto, libertar-se do costume não significa abandonar a santidade. Significa procurar a santidade verdadeira.
É sair de “Posso ou não posso?” para perguntas maiores: “Isso glorifica Deus?” “Isso me domina?” “Isso me aproxima de Cristo?” “Isso fere alguém?” “Isso procede de vaidade?” “Minha consciência está em paz?” “Estou praticando por amor?” “Estou construindo minha identidade nisso?” “Isso convém?” “Isso edifica?”
Liberdade sem discernimento vira escravidão ao desejo. Regra sem graça vira escravidão religiosa. O Evangelho nos chama para algo maior que ambos.
Talvez precisemos nos libertar não da igreja, mas do legalismo dentro de nós
É fácil terminar um texto como este apontando para pastores, líderes e denominações. Mas seria intelectualmente confortável demais.
Porque o legalismo não existe apenas em instituições. Existe dentro de nós.
Nós gostamos de criar categorias. Gostamos de saber quem está dentro e quem está fora. Gostamos de comparar. Gostamos de sentir que obedecemos mais. Gostamos da segurança de listas.
Talvez uma pessoa abandone uma igreja extremamente rígida e continue profundamente legalista, apenas trocando as regras. Antes julgava quem usava calça. Agora julga quem prefere saia. Antes desprezava quem usava maquiagem. Agora despreza quem escolhe não usar.
Isso não é liberdade. É apenas inversão do tribunal.
A verdadeira liberdade cristã também me permite olhar para uma irmã que, por consciência, escolheu nunca usar calça e respeitá-la. Se ela faz isso para Deus, não preciso ridicularizá-la.
O problema não é ela usar saia. O problema seria ela transformar sua saia numa medida universal da salvação alheia.
Da mesma forma, alguém pode escolher nunca usar joias. Pode nunca beber. Pode nunca se tatuar. Pode manter o cabelo comprido. Pode seguir uma tradição denominacional durante toda a vida. E pode fazer tudo isso sinceramente para Deus.
A liberdade cristã não exige abandonar costumes. Exige colocá-los no lugar correto.
Como saber se estou diante de doutrina ou costume?
Talvez possamos desenvolver um hábito simples de investigação.
Quando alguém disser: “Cristão não pode fazer isso”, pergunte: onde está escrito? Qual é o contexto? O texto realmente fala sobre isso? Para quem foi escrito? Qual problema o autor estava enfrentando? Esse mandamento pertence ao pacto mosaico, à igreja apostólica ou a uma situação específica? Existe um princípio moral permanente por trás dele? Como o restante das Escrituras trata o assunto? Há textos que parecem apontar noutra direção? A interpretação é consensual ou existem leituras cristãs historicamente respeitáveis diferentes? Estou diante de pecado explicitamente condenado ou de uma inferência?
A igreja está dizendo: “Acreditamos que esta é a aplicação mais prudente” ou “Deus disse exatamente isso”?
Essas perguntas não enfraquecem a Bíblia. Elas impedem que abusemos dela.
Precisamos voltar a Cristo
Talvez “libertar-se dos costumes” seja uma expressão incompleta. Porque não quero simplesmente me libertar de alguma coisa. Quero me libertar para alguma coisa.
Para Cristo. Para uma fé consciente. Para uma santidade que não depende de aparência religiosa. Para uma consciência educada pela Palavra. Para uma comunidade na qual perguntas não sejam tratadas como ameaças. Para uma igreja em que líderes possam ser respeitados sem serem transformados em intérpretes infalíveis. Para uma doutrina que venha da Escritura e não de memórias denominacionais revestidas de autoridade divina.
Para um cristianismo no qual podemos dizer: “Isto é mandamento.” quando realmente é mandamento. “Isto é princípio.” quando realmente é princípio. “Esta é nossa interpretação.” quando é interpretação. “Este é nosso costume.” quando é costume. “Esta é minha convicção.” quando é convicção.
Talvez muito sofrimento religioso pudesse ter sido evitado se tivéssemos aprendido essas cinco frases.
Considerações finais
Não escrevo isso porque acredito que aparência não importa. Acredito que importa.
Não escrevo porque acho que o corpo é irrelevante. Acredito que pertence a Deus.
Não escrevo porque rejeito santidade. Quero levá-la mais a sério.
Não escrevo porque acredito que toda disciplina eclesiástica seja abuso. A Bíblia ensina disciplina.
Não escrevo porque penso que toda tradição seja ruim. Tradições podem preservar identidade, memória, reverência e sabedoria.
O que questiono é outra coisa: quando começamos a chamar nossos costumes de mandamentos de Deus?
Quando determinamos que uma mulher está em pecado porque sua roupa não corresponde à cultura da nossa denominação? Quando transformamos o comprimento de um cabelo em termômetro da vida espiritual? Quando fazemos de Jezabel uma fiscal imaginária de maquiagem enquanto ignoramos a idolatria, a manipulação e a injustiça que realmente caracterizam sua história? Quando transformamos uma escolha pessoal de abstinência em condição para a salvação de todos? Quando disciplinamos alguém não porque abandonou Cristo, mas porque deixou de reproduzir nossa tradição? Quando uma pergunta sincera passou a ser chamada de ação do inimigo? Quando discordar do pastor passou a significar discordar de Deus?
Talvez, em algum momento, tenhamos esquecido que o cristianismo começou com alguém que também foi acusado de transgredir expectativas religiosas.
Cristo foi questionado porque seus discípulos não observavam determinadas tradições. Foi criticado por comer com determinadas pessoas. Foi acusado por aquilo que fazia no sábado.
E sua resposta não foi abolir a santidade. Foi revelar novamente para que a santidade existia.
Essa distinção continua sendo necessária. Porque religião sem discernimento consegue transformar uma cerca em altar. Consegue transformar costume em doutrina. Preferência em pecado. Pastor em consciência alheia. E tradição em voz de Deus.
Por isso, talvez uma das tarefas mais difíceis da maturidade cristã seja aprender a retirar de nossa fé tudo aquilo que acrescentamos à Palavra sem perceber. Não para viver com menos santidade. Mas para finalmente descobrir o que a santidade realmente significa.
Cristo não nos libertou para que fôssemos dominados por qualquer desejo. Mas também não nos libertou para que construíssemos novas prisões religiosas.
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.” (Gálatas 5:1)
E essa liberdade possui um Senhor. Seu nome é Cristo.
Talvez seja justamente por isso que precisamos ter coragem de perguntar, diante de cada costume, tradição, proibição e ameaça religiosa: Isso realmente veio Dele?
Porque seguir Jesus exige obediência. Mas obedecer a Jesus também exige saber distinguir sua voz daquilo que nós mesmos acrescentamos a ela.
Referências bíblicas e bibliográficas para aprofundamento
Bíblia Sagrada: Deuteronômio 22:5; Provérbios 20:1; 23:29–35; 1 Reis 16:31–33; 18:4,13; 21; 2 Reis 9:30; Marcos 7:1–23; Mateus 18:15–17; 22:37–40; João 13:34–35; Atos 15; 17:11; Romanos 14–15; 1 Coríntios 5; 6:12–20; 10:23–33; 11:2–16; Gálatas 5–6; Efésios 5:18; Colossenses 2:20–23; 1 Timóteo 2:9–10; 5:23; 1 Pedro 3:3–4; 5:2–3.
Gordon D. Fee, The First Epistle to the Corinthians, comentário sobre 1 Coríntios e o contexto da comunidade de Corinto.
Anthony C. Thiselton, The First Epistle to the Corinthians, especialmente as discussões exegéticas e socioculturais de 1 Coríntios 11.
Craig S. Keener, The IVP Bible Background Commentary: New Testament, para o contexto social e histórico do Novo Testamento.
Douglas J. Moo, The Epistle to the Romans, especialmente a discussão de Romanos 14–15 sobre consciência e matérias disputáveis.
John Stott, A Mensagem de Romanos, sobre liberdade, consciência e convivência entre cristãos.
Alicia J. Batten, “Neither Gold nor Braided Hair: Adornment, Gender and Honour in Antiquity”, New Testament Studies, sobre adornos, status e honra no mundo greco-romano.
Laura Quick, Dress, Adornment, and the Body in the Hebrew Bible, especialmente seu estudo sobre cosméticos e 2 Reis 9:30.
Peter L. Berger e Thomas Luckmann, A Construção Social da Realidade, útil para refletir sobre como costumes comunitários são transmitidos, naturalizados e finalmente percebidos como realidade incontestável.


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